Como é feita a cirurgia de catarata: passo a passo

Uma das dúvidas mais comuns de quem recebe a indicação de cirurgia de catarata é: como funciona exatamente o procedimento? O que acontece dentro do centro cirúrgico? Vou sentir alguma coisa? Quanto tempo leva?

Entender o passo a passo da cirurgia ajuda a reduzir a ansiedade, a chegar mais preparado no dia do procedimento e a seguir o pós-operatório com mais segurança. Este artigo explica, de forma clara e detalhada, como é feita a cirurgia de catarata desde a preparação até a saída da clínica.

Qual técnica é usada na cirurgia de catarata?

A técnica padrão atual para cirurgia de catarata é a facoemulsificação — um procedimento minimamente invasivo, com incisão pequena, que utiliza ultrassom para fragmentar e remover o cristalino opacado antes de implantar a lente intraocular artificial.

É a técnica mais realizada no mundo, com décadas de aprimoramento técnico e altíssima taxa de segurança. Substituiu as técnicas antigas que exigiam incisões maiores e sutura, tornando a cirurgia mais rápida, precisa e com recuperação mais confortável.

Como é feita a cirurgia de catarata: passo a passo

1. Preparo e anestesia

A cirurgia de catarata é realizada sob anestesia local — geralmente colírio anestésico, sem agulha e sem necessidade de anestesia geral. Em alguns casos, pode ser complementada por sedação leve intravenosa para maior conforto do paciente, especialmente em casos de ansiedade.

O paciente fica acordado durante o procedimento, mas não sente dor. O olho é anestesiado e o paciente pode perceber luz e movimentos, mas sem desconforto significativo.

2. Assepsia e campos cirúrgicos

A região ao redor do olho é limpa com solução antisséptica. Um campo estéril é posicionado e um pequeno dispositivo (blefarostato) mantém as pálpebras abertas suavemente durante o procedimento — sem necessidade de o paciente esforçar os olhos.

3. Incisão na córnea

O cirurgião faz uma incisão muito pequena na córnea — geralmente entre 2 e 3 milímetros. Essa incisão é autosselante, ou seja, na maioria dos casos não precisa de pontos para fechar ao final.

4. Abertura da cápsula do cristalino

Com instrumentos microcirúrgicos, o cirurgião abre a cápsula anterior do cristalino — a membrana que o envolve — para acessar o núcleo opacado. Essa etapa exige precisão e é uma das mais importantes do procedimento.

5. Facoemulsificação: fragmentação e aspiração do cristalino

Uma sonda ultrassônica é introduzida pelo olho. Ela emite vibrações de alta frequência que fragmentam o cristalino opacado em pequenos pedaços, que são simultaneamente aspirados pelo mesmo instrumento. É nesta etapa que o nome da técnica — facoemulsificação — se aplica: o cristalino é emulsificado (transformado em fragmentos líquidos) e removido.

6. Implante da lente intraocular (LIO)

Com o cristalino removido, a lente intraocular artificial é dobrada e inserida através da mesma incisão pequena. Dentro do olho, ela se abre e se posiciona na cápsula posterior — exatamente onde o cristalino natural estava. Não há pontos; a lente fica no lugar pela própria tensão da cápsula.

A escolha da lente (monofocal, multifocal, tórica ou EDOF) é definida antes da cirurgia, com base nos exames pré-operatórios e na conversa com o médico. Veja mais sobre as opções disponíveis na página sobre lente intraocular para catarata.

7. Fechamento e curativo

A incisão se fecha naturalmente — na grande maioria dos casos, sem sutura. Um protetor ocular é posicionado sobre o olho operado. O paciente descansa por um breve período na clínica e recebe as orientações para o pós-operatório antes de ir para casa.

Quanto tempo dura a cirurgia de catarata?

O procedimento em si dura em média 15 a 20 minutos por olho. Em casos mais complexos — como cataratas muito avançadas ou olhos com condições associadas — pode levar um pouco mais. O tempo total na clínica, contando preparo, procedimento e observação pós-imediata, costuma ser de 2 a 3 horas.

Os dois olhos são operados no mesmo dia?

Em geral, não. A prática mais comum é operar um olho por vez, com intervalo de alguns dias a semanas entre os procedimentos. Isso permite avaliar a recuperação do primeiro olho, confirmar que o resultado está dentro do esperado e, se necessário, ajustar o planejamento para o segundo olho.

Em situações específicas e com critérios clínicos bem definidos, a cirurgia bilateral simultânea pode ser considerada — mas é uma decisão individualizada, tomada pelo cirurgião com base no histórico e nas condições do paciente.

O que acontece depois da cirurgia?

Logo após o procedimento, o paciente descansa brevemente na clínica. A visão pode estar turva nas primeiras horas — isso é normal. O protetor ocular permanece no olho até a primeira consulta de revisão, geralmente no dia seguinte.

A maioria dos pacientes percebe melhora visual já nas primeiras 24 a 48 horas. A estabilidade visual completa, no entanto, pode levar algumas semanas. Durante esse período, é essencial seguir as orientações médicas: usar os colírios prescritos, evitar esfregar os olhos e não nadar.

Para entender em detalhes o que esperar nos dias e semanas seguintes, veja a página sobre recuperação após a cirurgia de catarata.

A cirurgia de catarata exige internação?

Não. A cirurgia de catarata por facoemulsificação é ambulatorial — o paciente vai para casa no mesmo dia. Não há necessidade de pernoite em hospital ou clínica. É necessário, no entanto, ir acompanhado, pois o paciente não deve dirigir após o procedimento.

Quais exames são feitos antes da cirurgia?

O planejamento cirúrgico seguro exige exames específicos realizados antes do procedimento. No Instituto de Olhos Campinas, esses exames incluem:

  • Topografia de córnea — mapeia a curvatura e detecta irregularidades
  • Paquimetria — mede a espessura da córnea
  • Biometria ocular — calcula o poder da lente intraocular a ser implantada
  • OCT — avalia a retina e o nervo óptico
  • Microscopia especular — analisa as células da córnea antes da cirurgia

Esses exames são o que permitem ao cirurgião planejar o procedimento com precisão e escolher a lente intraocular mais adequada para cada olho.

Quando considerar a cirurgia de catarata?

A indicação cirúrgica é individualizada e leva em conta o impacto da catarata na qualidade de vida, na segurança e nas atividades do paciente. Para entender melhor os critérios, veja a página sobre quando operar a catarata. Já as informações completas sobre a cirurgia de catarata em Campinas estão disponíveis na página do procedimento.

Perguntas frequentes

Como é feita a cirurgia de catarata?

Por facoemulsificação: uma incisão pequena na córnea permite a introdução de uma sonda ultrassônica que fragmenta e aspira o cristalino opacado. Em seguida, uma lente intraocular artificial é implantada no lugar. O procedimento dura cerca de 15 a 20 minutos, é feito sob anestesia local e não exige internação.

A cirurgia de catarata dói?

Não. O procedimento é realizado sob anestesia local em colírio — sem agulha. O paciente pode sentir leve pressão, mas sem dor. No pós-operatório imediato, é comum uma sensação de areia ou ardência nas primeiras horas. Veja mais detalhes na página sobre cirurgia de catarata dói.

A incisão precisa de pontos?

Na maioria dos casos, não. A incisão pequena feita na córnea é autosselante e fecha naturalmente ao final do procedimento, sem necessidade de sutura.

Posso ir sozinho para a cirurgia?

Não é recomendado. O paciente não deve dirigir após o procedimento e pode estar com a visão temporariamente comprometida. É necessário ir acompanhado por um familiar ou responsável.

Quanto tempo fico sem trabalhar depois da cirurgia de catarata?

Depende da atividade profissional. Para trabalhos de escritório ou que não exijam esforço físico, o retorno costuma acontecer em poucos dias. Atividades que envolvam esforço físico, poeira ou risco de trauma ocular exigem afastamento mais longo, conforme orientação médica.

Agende sua avaliação oftalmológica

Se você tem diagnóstico de catarata ou percebe alterações na visão, o próximo passo é uma avaliação com a Dra. Flávia Keiko Ichida no Instituto de Olhos Campinas. Na consulta, são realizados os exames necessários para confirmar a indicação cirúrgica e planejar o procedimento com segurança.

Agende sua consulta


Conteúdo revisado pela Dra. Flávia Keiko Ichida, especialista em Oftalmologia — CRM 111925 / RQE 47907.

Referências

  1. American Academy of Ophthalmology. Cataract in the Adult Eye — Preferred Practice Pattern. AAO, 2021.
  2. National Eye Institute (NEI). Cataract Surgery. U.S. Department of Health & Human Services. Disponível em: nei.nih.gov
  3. Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Diretrizes Clínicas em Oftalmologia — Catarata. CBO, 2022.
  4. Sociedade Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa (SBCR). Facoemulsificação: técnica e segurança. SBCR.
  5. Lundström M, et al. Phacoemulsification technique and outcomes. Journal of Cataract & Refractive Surgery, 2020.

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