Tipos de Catarata: Nuclear, Cortical, Subcapsular e Congênita
“A senhora tem catarata nuclear” — e o paciente sai da consulta sem saber muito bem o que aquilo muda. É bom ou ruim? Progride rápido? É diferente da catarata que a vizinha operou? O termo técnico raramente vem acompanhado de explicação, e a dúvida fica.
A catarata não é uma condição única e uniforme — ela é classificada conforme a região do cristalino onde a opacificação começa. Essa classificação não muda o destino final (a cirurgia continua sendo o único tratamento definitivo), mas ajuda a entender a velocidade de progressão e o tipo de impacto que ela costuma causar na visão.
Como o cristalino é dividido, para entender os tipos
O cristalino tem estrutura em camadas: um núcleo central mais denso, envolto por uma camada intermediária chamada córtex, e uma cápsula fina que envolve tudo — com uma região posterior (a cápsula posterior) especialmente relevante na cirurgia. A opacificação pode começar em qualquer uma dessas regiões, e é essa localização que define o tipo de catarata.
Catarata nuclear
É o tipo mais associado ao envelhecimento natural. A opacificação começa no núcleo central do cristalino e progride de forma lenta e gradual, ao longo de anos. Costuma causar uma sensação progressiva de visão amarelada ou levemente enevoada, e é comum que o paciente demore a perceber, justamente pela evolução lenta.
Catarata cortical
Começa na região periférica do cristalino, o córtex, e avança em direção ao centro em forma de “raios”, como fatias de uma laranja se opacificando a partir da casca. É particularmente associada a ofuscamento e dificuldade em ambientes com luz forte ou faróis à noite, porque a luz que entra pelas bordas do cristalino é dispersada de forma irregular.
Catarata subcapsular posterior
Se forma na parte de trás da cápsula do cristalino, exatamente no caminho da luz que chega até a retina. Por isso, mesmo sendo pequena, costuma causar impacto desproporcional na visão — principalmente em ambientes de luz intensa e na leitura. É o tipo mais associado ao uso prolongado de corticoides e tende a progredir mais rápido que os outros dois.
Catarata congênita
Diferente dos tipos anteriores, está presente desde o nascimento ou se desenvolve nos primeiros meses de vida. Pode ter causas genéticas, infecções durante a gestação ou, em alguns casos, causa não identificada. Como o sistema visual do bebê ainda está em desenvolvimento, o diagnóstico e a decisão cirúrgica costumam ser conduzidos com rapidez, para não comprometer a formação da visão nessa fase.
Comparativo entre os tipos
| Tipo | Localização | Progressão | Impacto característico |
|---|---|---|---|
| Nuclear | Núcleo central | Lenta, gradual | Visão amarelada, enevoamento progressivo |
| Cortical | Periferia (córtex) | Variável | Ofuscamento, dificuldade com faróis à noite |
| Subcapsular posterior | Cápsula posterior | Rápida | Impacto forte em luz intensa e leitura |
| Congênita | Variável | Presente ao nascer | Risco ao desenvolvimento visual do bebê |
O tipo muda a cirurgia?
A técnica cirúrgica em si — a cirurgia de catarata — é essencialmente a mesma independente do tipo: remoção do cristalino opacificado e implante de lente intraocular. O que o tipo influencia é o momento em que a cirurgia passa a fazer sentido: uma catarata subcapsular que progride rápido e já compromete a leitura pode indicar cirurgia mais cedo do que uma nuclear discreta que ainda não interfere na rotina.
É comum ter mais de um tipo ao mesmo tempo?
Sim. Em estágios mais avançados, é comum que a opacificação avance em mais de uma região do cristalino simultaneamente, combinando características nucleares e corticais, por exemplo. Isso não muda a conduta — ainda é avaliado o impacto funcional na visão, não a classificação isolada.
Perguntas frequentes
O tipo de catarata muda o tratamento?
O tratamento definitivo — a cirurgia — é o mesmo para todos os tipos. O que muda é a velocidade de progressão e, em alguns casos, o momento em que a cirurgia passa a ser indicada.
Catarata subcapsular progride mais rápido?
Sim, geralmente. A catarata subcapsular posterior tende a evoluir de forma mais rápida que a nuclear ou a cortical, e costuma causar mais impacto em ambientes de luz forte.
Catarata congênita tem cura?
A catarata congênita é tratável com cirurgia, e o momento da intervenção costuma ser decidido rapidamente após o diagnóstico, especialmente em bebês, para não comprometer o desenvolvimento visual.
É possível ter mais de um tipo de catarata ao mesmo tempo?
Sim. É comum que o cristalino apresente opacificação em mais de uma região simultaneamente, combinando características de dois tipos, especialmente em estágios mais avançados.
O tipo de catarata aparece no exame de rotina?
Sim. Durante o exame com lâmpada de fenda, o oftalmologista identifica visualmente a localização da opacificação no cristalino e classifica o tipo.
O que fazer com o nome do tipo que você ouviu na consulta
Saber que a sua catarata é nuclear, cortical ou subcapsular não muda o que você precisa fazer sozinho em casa — não existe conduta diferente para cada tipo fora do consultório. O que muda é a leitura que o especialista faz da velocidade provável de progressão, e é isso que define o intervalo até a próxima avaliação. Se você já sabe o tipo da sua catarata mas não sabe o que fazer com essa informação, o próximo passo é entender quando operar catarata faz sentido para o seu caso específico — e isso depende do tipo, mas também de como ele está afetando o seu dia a dia.
Conteúdo revisado pela Dra. Flávia Keiko Ichida, especialista em Oftalmologia — CRM 111925 / RQE 47907.
Referências
- American Academy of Ophthalmology (AAO) — Types of Cataracts
- National Eye Institute — Cataracts
- Mayo Clinic — Cataracts: Types and diagnosis
- Sociedade Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa
- Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)
