Riscos da cirurgia de catarata: o que é raro e o que é comum

Toda cirurgia envolve riscos — e a cirurgia de catarata não é exceção. O que muda é a proporção: a maioria das complicações associadas a esse procedimento é rara, transitória ou tratável. Mas o paciente tem o direito de conhecê-las antes de decidir, e o médico tem o dever de apresentá-las com clareza.

Este artigo explica quais são os riscos da cirurgia de catarata, o que é comum, o que é raro e quais sinais merecem atenção imediata após o procedimento.

Riscos comuns e esperados (parte normal da recuperação)

Algumas alterações são tão frequentes após a cirurgia de catarata que fazem parte do processo normal de recuperação — não são complicações, mas reações esperadas do organismo:

  • Visão embaçada ou flutuante nas primeiras horas a dias — o olho ainda está se adaptando à nova lente
  • Sensação de areia ou corpo estranho — causada pela incisão na córnea, que está em cicatrização
  • Lacrimejamento e fotofobia leve — sensibilidade à luz transitória, comum nos primeiros dias
  • Olho avermelhado — irritação leve que desaparece em dias a semanas

Esses sintomas são controlados com os colírios prescritos e melhoram progressivamente. Não indicam problema.

Riscos incomuns (ocorrem em minoria dos casos)

Algumas complicações são menos frequentes, mas podem ocorrer mesmo em cirurgias tecnicamente bem realizadas:

Opacificação da cápsula posterior

É a complicação tardia mais comum da cirurgia de catarata. A cápsula que sustenta a lente intraocular pode opacificar meses ou anos após o procedimento, causando visão embaçada semelhante à catarata. Não é uma recorrência da catarata — é um fenômeno diferente. O tratamento é simples: um procedimento rápido a laser (capsulotomia YAG), realizado no consultório, sem nova cirurgia.

Aumento transitório da pressão intraocular

Pode ocorrer nas primeiras horas após a cirurgia, especialmente em pacientes com predisposição ao glaucoma. Em geral é controlado com colírios e se resolve sem sequelas.

Edema de córnea

Inchaço transitório da córnea que pode causar visão turva nos primeiros dias. Na maioria dos casos se resolve espontaneamente. Em pacientes com córneas mais frágeis, pode demorar mais para melhorar.

Inflamação intraocular (uveíte)

Resposta inflamatória dentro do olho após a cirurgia. É controlada com colírios anti-inflamatórios — daí a importância de usá-los corretamente nos prazos indicados.

Deslocamento ou decentração da lente intraocular

A lente implantada pode, raramente, sair do seu posicionamento ideal. Dependendo do grau de deslocamento, pode exigir reposicionamento cirúrgico.

Riscos raros e graves

Essas complicações são incomuns — ocorrem em pequena porcentagem dos casos —, mas o paciente deve conhecê-las e saber identificar os sinais de alerta:

Endoftalmite (infecção intraocular)

A complicação infecciosa mais grave da cirurgia de catarata. Ocorre em menos de 0,1% dos casos, mas exige tratamento imediato — atraso no diagnóstico pode resultar em perda visual grave. Os sinais são: dor intensa, vermelhidão, visão muito turva e secreção, geralmente entre 2 e 7 dias após a cirurgia. Qualquer sinal suspeito exige contato imediato com a clínica.

Rotura da cápsula posterior

Durante a facoemulsificação, a cápsula que envolve o cristalino pode se romper. Quando isso acontece, o cirurgião adapta a técnica para completar o procedimento com segurança — em muitos casos o resultado final ainda é satisfatório. Em situações mais complexas, pode ser necessário agendar uma etapa complementar.

Descolamento de retina

Complicação rara, mais associada a olhos com miopia elevada ou predisposição anatômica. Sinais de alerta: aumento súbito de flashes de luz, moscas volantes ou sombra no campo visual após a cirurgia. Exige avaliação imediata.

Edema macular cistoide

Acúmulo de líquido na mácula — região central da retina responsável pela visão nítida. Pode causar redução da acuidade visual semanas após uma cirurgia aparentemente bem-sucedida. Tratável com colírios e, em alguns casos, injeções intravítreas.

Sinais que exigem contato imediato com a clínica

Após a cirurgia de catarata, entre em contato com o Instituto de Olhos Campinas imediatamente se perceber:

  • Dor intensa ou que piora progressivamente
  • Perda súbita de visão
  • Aumento súbito de flashes de luz ou moscas volantes
  • Sombra ou véu no campo visual
  • Vermelhidão intensa com secreção purulenta
  • Qualquer sintoma que pareça fora do padrão orientado pelo médico

A maioria desses sinais não significará uma complicação grave — mas a avaliação rápida é o que faz a diferença quando há algo a tratar.

Os riscos aumentam com a idade?

A idade avançada por si só não é um fator de risco significativo para complicações cirúrgicas da catarata. O que importa é a condição clínica geral do paciente e as características do olho. Cataratas muito avançadas — independentemente da idade — podem tornar o procedimento tecnicamente mais complexo. Daí a importância de não adiar a cirurgia além do necessário quando há indicação.

Como a avaliação pré-operatória reduz os riscos?

A avaliação antes da cirurgia existe justamente para identificar fatores que podem aumentar o risco do procedimento. Exames como topografia de córnea, microscopia especular e mapeamento de retina revelam condições que o médico leva em conta no planejamento cirúrgico — e, em alguns casos, podem levar à modificação da técnica, da lente escolhida ou do momento da cirurgia.

Para entender como funciona o procedimento completo, veja a página sobre como é feita a cirurgia de catarata. Para informações sobre segurança e taxa de sucesso, acesse cirurgia de catarata é segura?

Perguntas frequentes

Qual o risco mais comum da cirurgia de catarata?

A opacificação da cápsula posterior — quando a membrana que sustenta a lente intraocular fica turva meses ou anos após a cirurgia. Não é uma recorrência da catarata e tem tratamento simples: uma capsulotomia a laser, feita no consultório.

A cirurgia de catarata pode causar cegueira?

O risco de perda visual grave permanente é muito baixo — inferior a 0,1% em centros com experiência. O risco de não operar uma catarata avançada, em contrapartida, é perda visual progressiva e potencialmente irreversível por complicações da própria doença.

O que é endoftalmite e como prevenir?

É uma infecção intraocular grave que pode ocorrer após qualquer cirurgia ocular. A prevenção envolve assepsia rigorosa no ato cirúrgico e uso correto dos colírios antibióticos no pós-operatório. Os sinais — dor intensa, visão muito turva, vermelhidão — costumam aparecer nos primeiros dias e exigem atendimento imediato.

Posso desenvolver glaucoma após a cirurgia de catarata?

A cirurgia pode causar aumento transitório da pressão intraocular nas primeiras horas, especialmente em pacientes predispostos. Glaucoma permanente como complicação direta da cirurgia bem realizada é raro. Pacientes com glaucoma preexistente devem informar o médico, pois isso influencia o planejamento.

Agende sua avaliação oftalmológica

Conhecer os riscos é parte de uma decisão informada — e a melhor forma de avaliá-los no seu caso específico é em consulta. No Instituto de Olhos Campinas, a Dra. Flávia Keiko Ichida explica com clareza o que esperar antes, durante e após o procedimento, com base nos seus exames individuais.

Saiba mais sobre a cirurgia de catarata em Campinas ou agende sua avaliação:

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Conteúdo revisado pela Dra. Flávia Keiko Ichida, especialista em Oftalmologia — CRM 111925 / RQE 47907.

Referências

  1. American Academy of Ophthalmology. Cataract in the Adult Eye — Preferred Practice Pattern. AAO, 2021.
  2. Jaycock P, et al. The Cataract National Dataset: complications and outcomes in 55,567 operations. Eye, 2009.
  3. Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Diretrizes Clínicas em Oftalmologia — Catarata. CBO, 2022.
  4. National Eye Institute (NEI). Cataract Surgery Risks and Complications. Disponível em: nei.nih.gov
  5. Sociedade Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa (SBCR). Complicações da cirurgia de catarata. SBCR.

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